As chamadas “canetas emagrecedoras” mudaram a conversa sobre obesidade. Elas ajudaram a tornar visível algo que a ciência já demonstrava: fome, saciedade, glicemia e peso corporal não dependem apenas de força de vontade. Há sinais hormonais, circuitos cerebrais e respostas metabólicas envolvidos. Os medicamentos que atuam nessas vias podem reduzir a fome, melhorar o controle da glicose e favorecer a perda de peso em pessoas para quem são indicados.[10]
Mas o nome de uma molécula na embalagem não garante que o produto vendido tenha a mesma qualidade do medicamento estudado e registrado. Uma caneta ou um frasco também depende de formulação correta, dose precisa, esterilidade, estabilidade, conservação e rastreabilidade. Por isso, antes de discutir se uma substância funciona, é preciso saber exatamente qual produto está sendo usado, quem o produziu e sob quais controles de qualidade.[7][9][10]
É justamente nesse ponto que entram duas discussões atuais: as chamadas “canetas do Paraguai” e a venda irregular de retatrutida [9]. O objetivo aqui não é criar pânico nem condenar toda importação [9]. É separar categorias que frequentemente aparecem misturadas nas redes sociais: produto aprovado, produto manipulado ou sem registro, produto falsificado e molécula investigacional. Assim, a decisão pode ser baseada em ciência, não em promessa.[6][7][9]
Antes da caneta: GLP-1 e GIP são parte da fisiologia
GLP-1 e GIP são hormônios envolvidos na resposta do organismo à chegada de nutrientes [1]. Eles foram identificados como peptídeos capazes de potencializar a secreção de insulina estimulada pela glicose ainda na década de 1970 [1]. Essa história é importante porque os medicamentos atuais não surgiram do nada: eles foram construídos a partir de décadas de investigação sobre receptores, metabolismo e sinalização hormonal.[1]
O GLP-1 atua por meio de seu receptor em diferentes tecidos e participa do controle da glicose e da ingestão alimentar [2]. A literatura mostra que os agonistas do receptor de GLP-1 reduzem a ingestão de alimentos em animais e humanos; ao mesmo tempo, os mecanismos envolvidos são distribuídos e complexos, com participação de diferentes regiões e vias do sistema nervoso.[2] Traduzindo: “reduzir a fome” não é um truque superficial [2]. É uma intervenção farmacológica em sistemas biológicos reais [2].
O GIP costuma receber menos atenção, mas também tem um papel importante nessa resposta. Ele é liberado pelo intestino após a alimentação e ajuda o pâncreas a aumentar a secreção de insulina quando a glicose sobe. Seus receptores também estão presentes em regiões do cérebro e em tecidos envolvidos no uso e no armazenamento de nutrientes. Portanto, o GIP não é apenas uma segunda versão do GLP-1. Ele acrescenta outra via para coordenar a resposta à refeição, o controle da glicose e o balanço energético.[14]
Essa diferença ajuda a entender o interesse em combinar os dois receptores. O GLP-1 contribui para a saciedade e para o controle glicêmico, mas sua ativação também pode alcançar circuitos relacionados a náusea e vômito. Estudos experimentais indicam que a ativação do receptor de GIP pode amortecer parte desses sinais de mal-estar sem anular os sinais de saciedade. Estudos em humanos também sugerem melhora da tolerabilidade gastrointestinal quando a ação do GIP é acrescentada à do GLP-1.[15]
Isso pode ajudar a explicar por que a tirzepatida consegue intensificar o efeito metabólico sem produzir um aumento proporcional de náusea e vômito. Mas é importante não transformar essa hipótese em uma regra. A tirzepatida ainda pode causar náusea, diarreia, vômito e constipação. Em um estudo que comparou diretamente tirzepatida e semaglutida, os efeitos gastrointestinais foram frequentes com as duas medicações, geralmente leves ou moderados e mais comuns durante o aumento das doses. Nesse estudo, a interrupção por esses efeitos ocorreu mais vezes com semaglutida, mas isso não significa que toda pessoa tolerará melhor a tirzepatida.[16]
Por isso, dizer que esses medicamentos apenas “fecham a boca” é uma simplificação [2]. Cada molécula produz efeitos diferentes conforme os receptores em que atua, o tempo que permanece ativa no organismo e a forma como cada pessoa tolera o tratamento. A evolução dessas medicações procurou modificar justamente essas características. Primeiro, tornou a ação do GLP-1 mais duradoura. Depois, reduziu a frequência das aplicações. Mais recentemente, passou a combinar a ação sobre dois ou três receptores na mesma molécula.[1] Essa história envolve perda de peso, mas também controle da glicose, duração do efeito, frequência de aplicação, tolerabilidade e segurança.
Como as canetas emagrecedoras evoluíram
Exenatida: o marco de 2005
A exenatida foi o primeiro agonista do receptor de GLP-1 usado terapeuticamente e recebeu aprovação da FDA para diabetes tipo 2 em 2005 [1]. Seu desenvolvimento derivou da exendina-4, identificada anos antes [1]. Foi uma prova de conceito decisiva: era possível transformar o conhecimento sobre essa via hormonal em tratamento.[1]
Liraglutida: uma nova etapa no tratamento crônico
Depois veio a liraglutida, uma medicação de aplicação diária que acumulou muitos anos de uso antes da chegada das opções semanais. No Brasil, ela foi registrada em 2010 como Victoza, para o tratamento do diabetes tipo 2. Em 2016, a mesma molécula ganhou espaço no tratamento da obesidade e do sobrepeso com o nome comercial Saxenda.[11]
Durante anos, Victoza e Saxenda estiveram entre os nomes mais conhecidos dessa classe nos consultórios. A liraglutida continua presente no tratamento do diabetes tipo 2. Além de Victoza, o Brasil também possui o Lirux registrado para essa indicação. Para obesidade e sobrepeso, além de Saxenda, existe o Olire.[11] Essa trajetória ajudou médicos e pacientes a entender que diabetes e obesidade exigem cuidado contínuo. A medicação não era um tratamento rápido para perder alguns quilos, mas uma ferramenta que poderia fazer parte de uma estratégia de longo prazo.
Semaglutida semanal: eficácia e praticidade em outro patamar
A semaglutida deu o passo seguinte. Sua ação mais prolongada permitiu a aplicação uma vez por semana, e os estudos mostraram eficácia tanto no controle do diabetes tipo 2 quanto no tratamento da obesidade.[3] No Brasil, a apresentação semanal registrada para diabetes recebeu o nome Ozempic. Para obesidade e sobrepeso, a semaglutida semanal foi registrada como Wegovy. A lista da Anvisa também inclui Extensior para diabetes tipo 2 e Povitztra para obesidade e sobrepeso. Embora compartilhem o mesmo princípio ativo, esses produtos têm indicações e apresentações próprias.[11]
A medicação foi incorporada à rotina dos consultórios e de muitas pessoas com diabetes. Depois, explodiu em popularidade por causa da perda de peso. Ozempic deixou de ser apenas um nome comercial e passou a ser usado, na conversa cotidiana, quase como sinônimo de “caneta emagrecedora”. Nas redes sociais e no mercado, a semaglutida começou a ser apresentada como se fosse uma solução milagrosa para a obesidade.[12]
Foi nesse ponto que a história científica começou a ser simplificada. Os estudos demonstraram eficácia, mas avaliaram pessoas selecionadas, com acompanhamento, critérios definidos e análise de segurança.[3] Quando esse contexto desaparece, o medicamento deixa de ser apresentado como parte de um tratamento e passa a circular como uma promessa de emagrecimento rápido.
Tirzepatida: quando dois receptores entraram na mesma caneta
Depois da semaglutida, surgiu a tirzepatida. Em vez de atuar apenas no receptor de GLP-1, ela também age no receptor de GIP. No Brasil, recebeu o nome comercial Mounjaro. O medicamento foi registrado em 2023 para diabetes tipo 2 e, em 2025, passou a ter indicação aprovada também para o controle crônico do peso em pessoas que atendem aos critérios definidos em bula.[4][13]
Os estudos confirmaram que a tirzepatida pode produzir reduções importantes de glicose e peso.[4] Com isso, Mounjaro rapidamente entrou na mesma conversa que já cercava Ozempic: expectativa alta, procura crescente e a impressão de que uma caneta mais nova necessariamente será melhor para qualquer pessoa. Mas adicionar outro receptor não elimina a necessidade de avaliar efeitos adversos, contraindicações, acesso, acompanhamento e a indicação correta.
Retatrutida: a próxima promessa antes de virar medicamento
A corrida não parou na tirzepatida. A retatrutida foi desenvolvida para agir em três receptores: GIP, GLP-1 e glucagon. Em maio de 2026, a Lilly divulgou os primeiros resultados gerais de um estudo de fase 3. Os dados anunciados pela empresa chamaram atenção pela perda de peso observada, mas ainda representam uma divulgação inicial da fabricante, não a aprovação de um medicamento pronto para ser vendido.[5]
Essa diferença é decisiva. Até a data que essa postagem foi publicada, retatrutida continuava em pesquisa. Ela não tem venda autorizada, não possui uma caneta comercial aprovada e, segundo a Anvisa, ainda não foi aprovada em nenhum país.[6] Portanto, quando um frasco aparece na internet com esse nome, não estamos diante de uma versão estrangeira de um medicamento já disponível. Estamos diante de um produto sem fiscalização que usa o nome de uma molécula experimental.
Resultado positivo em pesquisa não significa autorização para fabricar e vender o produto. Em 2026, a retatrutida continua restrita ao contexto de estudos clínicos autorizados.[5][6]
Quando a inovação vira uma corrida pelo próximo lançamento
Exenatida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida contam uma história real de avanço. As aplicações ficaram mais práticas, a ação se tornou mais duradoura e novas combinações de receptores ampliaram as possibilidades de tratamento. O problema começa quando essa evolução deixa de ser apresentada como ampliação das opções terapêuticas e vira uma competição para saber qual caneta emagrece mais, qual empresa terá a próxima caneta da moda e quanto o mercado estará disposto a pagar por ela.
Resultados de estudos diferentes não podem ser colocados lado a lado como se todos tivessem avaliado as mesmas pessoas, durante o mesmo tempo e nas mesmas condições. Além disso, o medicamento que produz a maior perda média de peso não será automaticamente a melhor escolha para todos. Tolerabilidade, segurança, controle do diabetes, outras doenças, custo e possibilidade de manter o tratamento também fazem parte da decisão.
Enquanto a ciência avançava, o mercado aprendeu a vender novidade. A cada lançamento, cresceu a sensação de que a próxima molécula tornaria a anterior ultrapassada. Foi nesse ambiente que nomes de substâncias começaram a circular antes mesmo de virarem medicamentos. A retatrutida é o exemplo mais claro dessa inversão: já existe procura por um produto que ainda não existe legalmente para venda. Essa mesma pressa ajuda a explicar por que versões de tirzepatida produzidas no Paraguai encontraram compradores no Brasil antes de existir um caminho regular para comercializá-las aqui.
Por que existem canetas de tirzepatida produzidas no Paraguai?
A tirzepatida foi desenvolvida pela Lilly, que transformou a molécula no medicamento Mounjaro e protegeu essa invenção por meio de patentes em diferentes países, inclusive no Brasil. Essa proteção garante exclusividade à empresa nos lugares em que a patente está válida. Mas uma patente não funciona como uma regra mundial. Cada país tem suas próprias leis e decide quais invenções estão protegidas dentro de seu território.[17][18]
É isso que ajuda a explicar o que aconteceu no Paraguai. A patente brasileira protege a Lilly no Brasil, mas não determina automaticamente o que um laboratório paraguaio pode fabricar. Por isso, empresas paraguaias podem produzir medicamentos com tirzepatida quando cumprem as leis de patente e as exigências sanitárias daquele país. É o que, na conversa cotidiana, muitas pessoas chamam de “copiar” a substância. Juridicamente, porém, não significa necessariamente que exista uma cópia ilegal.
Também não significa que todos os produtos vendidos no Paraguai sejam iguais. Existem laboratórios reconhecidos pela autoridade sanitária local. Um relatório da DINAVISA, órgão responsável pela vigilância sanitária paraguaia, identifica o Lipoless, produzido pela Eticos, como um medicamento registrado e informa que o lote analisado estava dentro das especificações avaliadas.[19] Isso mostra que há produção submetida às regras paraguaias, embora esse registro não torne o produto equivalente ao Mounjaro nem autorize sua venda no Brasil.[7]
Ao lado desses produtos, também existem falsificações. A própria DINAVISA já encontrou apresentações vendidas como tirzepatida que não continham o princípio ativo declarado, tinham concentrações muito inferiores às anunciadas e não cumpriam os requisitos de esterilidade.[20]
Quando essas canetas atravessam a fronteira, a regra muda
No Brasil, a patente da tirzepatida ainda garante à Lilly a exclusividade sobre a exploração comercial da invenção protegida. Isso significa que um laboratório paraguaio não pode simplesmente trazer sua versão para vender aqui sem respeitar os direitos da titular da patente. Além disso, todo medicamento precisa passar pela Anvisa antes de entrar regularmente no mercado brasileiro.[17][21]
Existem, portanto, duas barreiras que atuam ao mesmo tempo. A patente protege a exclusividade comercial da Lilly. O registro sanitário protege o paciente ao exigir demonstrações de qualidade, segurança e eficácia para cada produto. Uma autorização concedida no Paraguai não substitui nenhuma dessas etapas no Brasil.
Quando há muita procura, preço elevado e nenhuma possibilidade de venda regular dessas versões, abre-se espaço para o contrabando. A caneta passa a atravessar a fronteira por uma rota que não permite verificar quem transportou, quanto tempo levou, em qual temperatura ficou armazenada ou se a embalagem permaneceu íntegra. As boas práticas de transporte existem justamente para documentar essas condições e preservar a qualidade do medicamento até a aplicação.[22]
O problema é que já não existe uma cadeia confiável capaz de provar o contrário. Mesmo um produto originalmente regular no Paraguai pode chegar ao Brasil sem rastreabilidade, fora da temperatura indicada ou misturado a falsificações. O risco não está apenas no país de origem. Está no caminho clandestino entre o fabricante e a pessoa que recebe a injeção.
Quando a patente termina, o mercado começa a mudar
A história da tirzepatida ajuda a entender o movimento contrário que agora acontece com a semaglutida. A Novo Nordisk desenvolveu a molécula usada em Ozempic e Wegovy e manteve sua exploração protegida durante a vigência da patente. Em 20 de março de 2026, porém, terminou no Brasil a patente principal da semaglutida. O Superior Tribunal de Justiça não aceitou o pedido de prorrogação apresentado pela empresa.[23][24]
Isso não quer dizer que todas as patentes relacionadas a formulações, processos e dispositivos tenham desaparecido. Significa que a proteção central sobre a molécula deixou de impedir a entrada de concorrentes. Foi essa abertura que permitiu uma nova etapa do mercado brasileiro.
Em maio de 2026, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico Ozempic. Trata-se da mesma substância ativa produzida por uma rota sintética e avaliada pela Agência quanto à qualidade, à segurança e à eficácia. O Ozivy foi registrado como um medicamento novo, e não como um genérico do Ozempic. Segundo uma ata da Anvisa, ele é fabricado no Brasil pela EMS.[25][28]
Em agosto, a Anvisa aprovou a primeira caneta genérica de semaglutida sintética, produzida pela EMS, e o similar Semaclique, da Germed. Os dois usam o Ozivy como referência e são intercambiáveis com ele.[26] Outras cinco canetas de semaglutida sintética também receberam registro em 2026, aumentando o número de empresas autorizadas a disputar esse mercado.[27]
A aprovação de um genérico não significa que ele aparecerá imediatamente nas farmácias, porque o preço e o lançamento comercial ainda dependem das etapas seguintes e da decisão do fabricante. Mesmo assim, o cenário já começou a mudar. Mais fabricantes e mais apresentações aumentam a concorrência, podem pressionar os preços e criam condições para que o tratamento se torne acessível a um número maior de pessoas.
Essa ampliação precisa ser descrita com cuidado. As novas versões citadas foram aprovadas para diabetes tipo 2, e não automaticamente para obesidade. Ter o mesmo princípio ativo não permite usar a indicação de uma marca para promover outra. Também não garante que o medicamento ficará barato, será oferecido pelo SUS ou estará disponível em todas as regiões. O fim da patente abre a concorrência. O acesso se amplia quando essa concorrência se transforma em preço, oferta e indicação aprovada.
Concorrência regular não é mercado clandestino
A diferença entre esses dois caminhos é fundamental. Um genérico ou similar surge depois que a legislação permite a entrada de concorrentes e só chega ao mercado após a avaliação da Anvisa. Já uma caneta contrabandeada contorna o registro brasileiro, a fiscalização da entrada e a cadeia regular de distribuição. Nos dois casos pode aparecer o nome da mesma molécula, mas isso não transforma os produtos na mesma coisa.
Um medicamento registrado tem fabricante identificado, formulação definida, indicação aprovada, condições de armazenamento e um sistema para rastrear lotes e investigar problemas. Um produto autorizado em outro país pode ser legítimo em sua origem e, ainda assim, não estar autorizado para venda no Brasil. Um produto falsificado mente sobre identidade, composição, fabricante ou procedência. Um produto contrabandeado entrou por uma rota ilegal, o que rompe a rastreabilidade mesmo quando sua embalagem parece autêntica.
Essas diferenças se tornam ainda mais importantes quando o rótulo traz o nome de uma molécula que ainda está em pesquisa.
Qual é o princípio ativo? Esse produto tem registro para a indicação anunciada? Quem é o fabricante? Existe rastreabilidade desde a produção até a conservação e a venda?
Por que a venda de retatrutida é ainda mais preocupante
A incerteza é ainda maior quando o rótulo traz o nome retatrutida. Nesse caso, não existe sequer um medicamento comercial aprovado que possa servir de referência para comparar dose, formulação, pureza ou estabilidade.[6]
Até a data em que esta postagem foi publicada, a retatrutida continuava em pesquisa. Ela não tinha venda autorizada, não possuía uma caneta comercial aprovada e, segundo a Anvisa, ainda não havia sido aprovada em nenhum país.[6] Portanto, quando um frasco aparece na internet com esse nome, não estamos diante de uma versão estrangeira de um medicamento disponível. Estamos diante de um produto sem fiscalização que usa o nome de uma molécula experimental.
Em fevereiro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de produtos anunciados como “Retatrutide 40 mg”, de todas as marcas e lotes, além de outras canetas sem registro sanitário.[8] Um bom resultado de fase 3 não torna esses frascos legítimos. O estudo da Lilly utiliza uma substância produzida sob controle, com protocolo, acompanhamento e registro de eventos adversos. O produto vendido paralelamente apenas aproveita o nome da molécula.
O avanço é real. O atalho é que precisa ser questionado
Exenatida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida mudaram o tratamento do diabetes e da obesidade. O fim de uma patente e a entrada de concorrentes também fazem parte dessa evolução, porque podem ampliar a oferta e reduzir a distância entre uma inovação e as pessoas que precisam dela.
O problema começa quando essa evolução é transformada em uma competição para descobrir qual caneta emagrece mais, qual empresa terá a próxima caneta da moda e quanto o mercado aceitará pagar por ela. A mesma urgência que movimenta a inovação também alimenta a venda de produtos sem registro, o contrabando e o uso comercial do nome de moléculas que ainda estão em pesquisa.
Nem toda versão concorrente é irregular. Um genérico aprovado representa a abertura legítima do mercado depois da patente e da avaliação sanitária. Também não é correto chamar todo produto estrangeiro de falsificado. O que diferencia inovação, concorrência e atalho é o caminho percorrido: patente respeitada, registro verificável, fabricante identificado, indicação aprovada e rastreabilidade até o paciente.
No caso da retatrutida, a resposta continua simples: a molécula está em pesquisa e qualquer produto oferecido comercialmente está fora do caminho regulatório reconhecido pela Anvisa.[6][8]
Fontes e leituras
- An Update on GLP-1 Receptor Agonists
- GLP-1 physiology informs the pharmacotherapy of obesity
- Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity
- Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity
- Lilly's triple agonist retatrutide delivered powerful weight loss in pivotal Phase 3 obesity trial
- Retatrutida ainda NÃO está aprovada para uso em nenhum lugar do mundo
- Canetas do Paraguai NÃO demonstraram equivalência com medicamentos registrados no Brasil
- Anvisa determina apreensão de canetas emagrecedoras sem registro
- WHO issues warning on falsified medicines used for diabetes treatment and weight loss
- FDA's Concerns with Unapproved GLP-1 Drugs Used for Weight Loss
- Medicamentos agonistas GLP-1 registrados no Brasil, Anvisa
- Ozempic para todos? Distopia farmacológica, desigualdade de acesso e a eterna promessa de cura
- Mounjaro, tirzepatida: nova indicação para controle crônico do peso, Anvisa
- Beyond the pancreas: contrasting cardiometabolic actions of GIP and GLP-1
- The agony and the efficacy: central mechanisms of GLP-1 induced adverse events and their mitigation by GIP
- Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity
- Patentes: perguntas frequentes, INPI
- Concessão da patente BR 11 2017 010596-9 B1, Revista da Propriedade Industrial
- Resultados do programa de fiscalização de medicamentos de 2025, DINAVISA
- Falsificação de tirzepatida no Paraguai, DINAVISA
- Anvisa esclarece sobre proibição de ingresso de canetas emagrecedoras
- Boas práticas de distribuição, armazenagem e transporte de medicamentos, Anvisa
- STJ decide não prorrogar as patentes do Ozempic e do Rybelsus
- Relatório sobre semaglutida e patentes relacionadas, Conitec
- Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic
- Anvisa aprova caneta genérica de semaglutida sintética e o similar Semaclique
- Anvisa registra cinco novas canetas de semaglutida
- Ata da reunião da Anvisa sobre o registro do Ozivy




