Mulher medindo a pressão arterial em casa
Diabetes tipo 2

Diabetes e pressão alta: qual a relação entre as duas?

É muito comum encontrar as duas condições na mesma pessoa: diabetes tipo 2 e pressão alta. Boa parte das pessoas acha que isso é coincidência, ou só um "efeito colateral" de estar acima do peso ou de envelhecer. Mas existe uma ligação direta entre as duas, e ela passa pelo mesmo hormônio que é o fio condutor de todo esse blog: a insulina.

Por que essas duas condições aparecem juntas com tanta frequência

Resistência à insulina, diabetes tipo 2, pressão alta, triglicerídeos elevados e gordura concentrada na barriga costumam aparecer juntos com tanta frequência que, desde a década de 1980, esse conjunto já tinha nome na literatura médica: síndrome metabólica. Isso não é uma simples lista de "problemas de saúde que por acaso costumam coexistir". Existe um mecanismo comum por trás de boa parte desses problemas, e o excesso de insulina circulando no sangue é uma peça central nele.

O papel da insulina no aumento da pressão

Uma revisão científica publicada no periódico Advances in Chronic Kidney Disease, de autoria de Rao, Pandya e Whaley-Connell (2015), reúne os principais mecanismos que ligam a resistência à insulina ao aumento da pressão arterial. Os principais são três:

(DOI da revisão citada acima: 10.1053/j.ackd.2014.12.004)

Uma revisão publicada no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism (DOI: 10.1210/jc.2006-1819), de Sarafidis e Bakris (2006), reforça esses mesmos três mecanismos e ainda aponta um quarto fator menos conhecido: o aumento de uma substância chamada endotelina-1, que contrai os vasos sanguíneos e parece ficar mais ativa quando a insulina está cronicamente elevada.
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Por que isso não é só coincidência

Esses mecanismos explicam por que diabetes tipo 2 e pressão alta não são só "duas doenças que gostam de aparecer juntas por azar". Elas compartilham uma causa comum bem estabelecida, o excesso de insulina circulando no sangue por tempo prolongado. Isso também explica por que, na prática clínica, é tão comum ver a pressão arterial melhorar em pessoas que reduzem a resistência à insulina através de mudanças na alimentação, mesmo antes de qualquer perda de peso significativa.

O que fazer com essa informação

Se você tem diabetes tipo 2, resistência à insulina ou histórico familiar dessas condições, vale medir a pressão arterial com regularidade, mesmo sendo jovem ou sem sintomas aparentes, já que a pressão alta ligada à resistência à insulina pode se desenvolver de forma silenciosa, assim como a própria resistência à insulina. Da mesma forma, se a pressão já está alta, vale investigar a insulina de jejum e o índice HOMA-IR, e não assumir que se trata só de uma questão isolada de pressão.

Do ponto de vista prático, os mesmos princípios já discutidos nos outros posts deste blog se aplicam aqui: reduzir o consumo de carboidratos refinados e açúcar ajuda a diminuir os níveis de insulina circulante, o que por sua vez tende a aliviar os três mecanismos descritos acima. Cuidar do sono e do estresse também importa, já que ambos afetam diretamente a atividade do sistema nervoso simpático mencionado mais acima.

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